A Velha Surda Da Praça É Nossa - A Velha Surda não perdoa nem o Jô | A Praça é Nossa (24/12/20) - YouTube
A Velha Surda não perdoa nem o Jô | A Praça é Nossa (24/12/20) - YouTube

A velha surda da praça é nossa e, desde que a enchente a arrastou para o calçadão, virou ponto de encontro, canto de conversa e símbolo da nossa identidade comunitária.

A História que a Velha Surda Conta

A velha surda da praça não surgiu do nada; ela carrega consigo uma história que atravessa décadas de nossa vida comunitária. Lá chegamos, talvez, já comendo poeira de estrada e ressoado a festas juninas distantes, quando ainda era nova e reluzente. Com o tempo, as batidas das mãos, o atrito dos dedos e o suor de inúmeras celebrações apagaram a brilho, deixando-a uma testemunha silenciosa e sempre presente. Cada risada ecoada nela, cada boemia de sábado, cada procissão religiosa que a fez reverberar fundo, construíram a nossa memória coletiva. Hoje, ao olharmos para a superfície marcada, não vemos apenas metal enferrujado, vemos a nossa história. A velha surda da praça é um álbum de fotografias sonoras, onde cada risco parece contar uma batalha vencida, uma festa inesquecível ou um adeus emocionante. É um patrimônio invisível, construído não em tijolos, mas em ritmos e emoções. Por isso, quando a chuva a molha ou o sol aquece, ela responde com um som único, que só a nossa gente reconhece como casa.

O Significado Além do Som

O valor da velha surda vai muito além da sua função musical. Enquanto instrumento, ela define o ritmo das nossas marchinhas, das danças e dos batucados que animam as tardes. Porém, enquanto patrimônio, ela define o ritmo das nossas vidas. É o coração que mantém vivo o nosso bairro, a ponte que liga a geração que a ouvia pela primeira vez com a que hoje a faz vibrar. Ela representa a continuidade. Enquanto outros objetos são descartados a cada moda nova, a surda permaneceu, resistente, como um elo com o passado. Ela nos lembra da importância da paciência, da prática e da dedicação, já que cada nota surgia de um golpe certo, fruto de experiência e amor. Portanto, a expressão "a velha surda da praça é nossa" não é apenas uma afirmação de posse, mas um elogio à resiliência e ao valor intangível que carrega em si.

A Presença Cotidiana na Praça

A praça ganha vida com a presença dela. Seja ao amanhecer, quando o primeiro idoso a sentar-se junto a ela aperta as cordas para um ensaio, ou ao fim de tarde, quando as crianças a cercam curiosas, ela é o centro gravitacional do espaço. É ali que surgem as rodas de conversa, onde velhos conhecidos recontam histórias e os jovens escutam, fascinados, como se ouvissem a própria essência do lugar. Essa interação é o combustível que mantém viva a chama comunitária. A surda não está ali apenas para ser tocada, mas para ser vista, ouvida e sentida. Ela proporciona um senso de pertencimento que poucas palavras conseguem expressar. Ao reunir pessoas em volta dela, a velha surda da praça cria uma teia de solidariedade e amizade que fortalece o nosso tecido social.

Desafios e Cuidados

Apesar de sua importância, a velha surda da praça enfrenta desafios do tempo e do descuido. A intempérie, o vandalismo e a falta de manutenção podem transformar um símbolo de orgulho em um objeto abandonado. É comum vermos a ferrugem avançando sobre a casca, ou as cordas já não produzirem o som forte e caloroso de outrora. Portanto, a preservação da surda é responsabilidade de todos. Algumas iniciativas já surgiram, como pequenos grupos de voluntários que se reúnem para limpar, proteger e, ocasionalmente, afinar seu som. Esses cuidados vão além da conservação física; eles representam o nosso compromisso em manter viva a memória e a cultura que ela carrega. Cada afinação, cada pintura, cada gesto de cuidado reforça a frase: a velha surda da praça é nossa e, juntos, vamos protegê-la.

Um Chamado à Ação e Reflexão

Reconhecer o valor da velha surda da praça é um ato de amor-próprio. Significa valorizar nossas raízes, celebrar nossa cultura local e entender que a riqueza verdadeira está nas conexões humanas, não apenas em bens materiais. É um convite para pararmos, ouvirmos e agradecermos por fazerem parte daquilo que chamamos lar. Que possamos, com orgulho, dizer não apenas que ela existe, mas que ela é nossa. Que possamos cuidar dela com a mesma dedicação com que ela nos uniu. Afinal, a verdadeira melodia da nossa praça não está apenas na surda, mas na harmonia que ela inspira em cada um de nós.

Conclusão

A velha surda da praça é mais que um objeto; é um monumento vivo à nossa história, nossa cultura e nossa união. Ao afirmar que a velha surda da praça é nossa, celebramos a resistência, a memória e o futuro que construímos juntos. Que essa sinfonia de pertencimento nunca se apague, pois ela é a alma verdadeira do nosso lugar.